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terça-feira, 29 de janeiro de 2008

...la guitare...

A Guitarra, 1914, de Pablo Picasso, foi um marco na história da escultura. O Cubismo já se vinha sendo desenvolvido há alguns anos pela europa, com o próprio Pablo e com Braque à frente do movimento. Com o intuito de demonstrar uma nova maneira de encarar a realidade, o cubismo abre mão das emoções, das impressões, e de tudo que meche com a percepção pura e simples, para criar uma nova maneira de figuração.
Como a perspectiva não passa de ilusão, de uma brincadeira que se faz com o olhar e com a mente do espectador, o cubismo resolve dar ao espectador diversas vistas que não teria de apenas um ponto de vista. São vários lados de um mesmo objeto representados planificadamente.
A Guitarra é a aplicação desse conceito à escultura. Além disso, o material, a execução, a aparência, a falta de acabamento, etc., tudo é um questionamento do que se vinha fazendo até o momento no campo da escultura. Não há polimento, nem aparação das rebarbas, o material se encontra no estado bruto, revelando e expondo um violão de maneira que a percepção usual não o perceberia. Para isso que a arte cubista veio: para ampliar os horizontes do que se entendia por aparência, por visão, por ilusão, e, finalmente, por realidade, afinal, a realidade subjetiva é formada pela percepção dos sentidos e intuitiva, e essa escultura, por exemplo, expande o que se pensa como um violão. Leia mais sobre a guitarra de picasso no site do MoMA, onde ela agora se encontra exposta.

domingo, 27 de janeiro de 2008

...iberê camargo...


A verdade é estava evitando de falar de alguma obra de Iberê Camargo... Evitava porque o considero o melhor pintor brasileiro de todos os tempos, e falar dele portanto é algo difícil... E, sinceramente, estava com medo de falar dele, e acabar falando bobagens, embora tenha lido mais sobre ele do que sobre design, que é o que faço... Mas, não podia mais adiar...!
Essa tela se chama Carretéis (1958). Venâncio Filho o considera como um moderno tardio. Por essa pintura, é capaz de se perceber o porquê. O quadro é composto por desenhos de carretéis, o brinquedo da infância de Iberê, e o modo como os pinta, como os estrutura e dispõe no quadro demonstra forte influência cubista, que já se havia encerrado anos atrás. Os carretéis encontram-se empilhados, sem uma iluminação padrão, alguns estão até mesmo chapados na tela. Essa fase de Iberê, a fase pré-abstrata, é a fase em que questiona sua própria maneira de pintar, rasgando, expondo, destruíndo a forma que aprendera em sua fase de estudo na Europa com De Chirico e outros pintores. E essa procura por uma nova forma, Iberê a procura por si. Não queria formulas prontas, e por isso sua passagem da figuração para a abstração, e de volta à figuração na década de 80.
Esse quadro está dividido como que pelo centro, verticalmente, com ambas metades quase simétricas. Nas pontas. temos duas estruturas verticais, de mesmo peso visual, uma branca, outra branca e azul. Há próximo ao centro um carretél isolado vermelho que chama a atenção para si, e trabalha de contrapeso para um carretél branco, ao lado direto acima. O olhar, a partir desse carretél, começa a pulular pelos carretéis brancos, e passa por três hastes verticais na parte debaixo. Com cores sóbrias e uma tonalidade escura, características de Iberê, o quadro sustenta-se justamente por essa combinação de cores, formas e relações. Postarei no futuro algo sobre sua fase abstrata. Por enquanto, visitem o site da fundação Iberê Camargo.