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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

...abstracionismo...

Hoje deu uma vontade de voltar um pouco no tempo... Resolvi deixar pra lá um pouco a arte contemporânea e falar de um ícone do movimento moderno que viria a mudar o destino todo das artes plásticas. Não é bem uma pessoa, nem um movimento, mas uma tendência, e falo do abstracionismo. Arte não-figurativa é um enigma pra muita gente, e muitas vezes é preciso certa orientação para entendê-la.


O pai da pintura abstrata é Wassily Kansdisnky. Em 1910, fez sua primeira aquarela abstrata, representada ao lado. No entanto, seu desejo de a fazer veio de certo tempo antes, quando começou a vislumbrar que uma obra não necessariamente teria que ser figurativa (representar certa figura exterior) para ser uma obra. Dizia que toda pintura é um equilíbrio de abstração e realismo, no sentido de ter que abstrair a essência do objeto para aproximar-se ao seu conteúdo real. A arte não-figurativa para ele nasce do maior uso desse elemento "abstração" do que do realismo, esse por sua vez apresentando-se de forma "concentrada" na tela, sem deixar de existir. Mais à frente, Doesburg diria que todo quadro é abstrato, pois para se desenhar ou pintar uma vaca, abstrai-se sua essência, afinal, o quadro não é a vaca, mas representação desta. E diria que a obra não-figurativa por excelência é a arte geométrica (comentada em post anterior sobre Mondrian). Konrad Fidler escreveu certa vez que "(...)qualquer obra e arte só se justifica quando é necessária para representar qualquer coisa que não pode ser representada de nenhuma outra maneira". A pintura abstrata informal é justamente isso: expressar um movimento interior (de um sentimento qualquer) que não há outro modo de o definir.

Foram muitas as vertentes abstratas, mas uma das que mais admiram os espectadores (ou causam indignação em alguns casos) é a busca pelo traço infantil. O trabalho ao lado, do artista israelense Lea Nikel, Untitled, é um dos exemplos. O próprio Kandisnky e outro artista, Paul Klee, empenharam-se numa pesquisa profunda sobre o desenho infantil. Diziam que o ato de desenhar mais natural, onde há a verdadeira expressão interior, sem a ânsia por impressionar os outros, apenas de exteriorizar certo impulso interior de interpretar algo, é o desenho infantil e dos loucos. A criança desenha uma cadeira com pernas tortas, ou desproporcional, mas para ela, aquilo é uma cadeira. Se contenta com o que fez porque é daquela maneira que ela a entende. Diversos artistas tentaram retornar à essa fase, como na pintura ao lado, ou na aquarela acima. A cor é tratada intuitivamente, os traços são espontâneos, os erros não existem, a composição é empírica, é tudo feito no momento. E a arte abstrata informal por vezes tenta justamente apropriar-se desse modo de fazer, desse modo de pensar, para expressar-se de forma verdadeira, não convencional, instantânea e à livre interpretação.