Pronto. Deixo aqui o PDF final da minha pesquisa sobre arte e design minimalista. Devo confessar que não está totalmente acessível, pois envolve alguns pontos de análise semiótica, artistas específicos, movimentos do design que são necessários certo envolvimento, etc. Mas, de qualquer maneira, achei o resultado razoavelmente satisfatório, e por isso o disponibilizo por aqui.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
...minimalismo e design minimalista...
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
...minimas notas...
Se há algo fascinante no mundo das artes, é justamente a capacidade de interação entre suas diversas "modalidades". É interessantíssimo como o expressionismo de Munch influenciou a arquitetura de Taut, ou como o concretismo remecheu-se também pelo campo da poesia. Há diversas "trocas" de cultura que aconteceram e acontecem por aí.
E é mais fascinante ainda numa pesquisa por determinado estilo, se o encontre nas demais artes, como aconteceu comigo e o minimalismo. Por pesquisar apenas nas artes plásticas, acabei por encontrá-lo na literatura, no design, na arquitetura, na poesia, e, mais impressionante ainda, na música.
No minimalismo, uma das suas características era a padronização das formas, repetição serial de objetos industriais, clareza comunicacional, etc. Na música encontramos elementos semelhantes, como a execução infindável de padrões de acordes, sem grandes malabarismos escalísticos, mas apenas o básico, podendo variar o andamento, como Carl Andre variava o número de elementos repetidos. Podem variar os instrumentos também, assim como se pode variar o material de uma estrutura primária, e assim vai.
Um dos expoentes da música minimalista é Philip Glass. Há diversas peças dele bastante interessantes, e algumas até famosas. Mas gostaria de chamar a atenção para duas em especial. uma delas chama-se "Islands", do album "Glassworks". Abaixo, a música. Aperte o play e veja como as coisas acontecem.
Discover Philip Glass;Philip Glass Ensemble!
Aqui, encontramos as mesmas características listadas acima. Há um padrão crescente de notas, que se repetem, variando o acorde sobre os quais se realizam. Sobre esses padrões encontramos um violino cantando longas e suaves notas, condizentes com os acordes sobre os quais estão inseridos. Em determinado momento, soma-se um violino, depois outro instrumento, mas sem nunca perder o principio do todo, que é a repetição, pouca variação, monotonia.
Discover Philip Glass Ensemble;Michael Reisman!
Aqui vai outro exemplo do mesmo artista. Chama-se "Einstein on the Beach/ act.I", da ópera "Einstein on the Beach". É uma música bastante longa, e interessante. Aqui, Philip Glass lanca mão de uma repetição quase que eletrônica, com um andamento às vezes muito acelerado, e instumentos variados. Começa pequeno, mas logo se acrescem ao conjunto vozes humanas, uma flauta, cantando sobre a base repetitiva, que ecoa da mesma maneira que na música anterior, sempre a mesma durante a música toda.
Já nessa, o que chama a atenção é justamente as vozes que cantam. Nelas, as palavras são as próprias notas, como podemos ver no trecho 3:45, onde a voz pronuncia literalmente "lá, si, lá, si, lá, si...", ou seja, a voz é a própria nota, assim como a palavra é a nota. Não há sentido explícito por parte do artista: as notas são o que elas são, uma depois da outra. Certamente, sobre essa música, o artista Frank Stella diria "what your hear is what you hear" (o que você ouve é o que você ouve). No entanto, há algo a mais na música que nos remete a outro universo. Conforme ouvimos as vozes cantando as notas, necessariamente as ligamos a palavras. Mentalizamos verbos, substantivos, adjetivos, ou qualquer outra classe de palavra se repetindo, repetindo e dizendo coisas, como quando ouvimos a máquina de lavar na sua monotonia também dizendo algo. No trecho que ouço agora, ouço a frase cheia de sentido "Não sei sentar, não sei sentar, não sei sentar...". É claro que é um absurdo, pois não se diz nada do tipo! Mas é o mesmo absurdo que se tentar encontrar um sentido literal numa obra abstrata... São ilusões que nossa mente nos prega. Nada mais que isso.
Marcadores: einstein on the beach, islands, minimalismo, música, Philip Glass
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
...agrupamento minimo...
Continuando a coleção de posts sobre artistas minimalistas e pós-minimalistas, hoje encontrei algo bastante interessante. Essa obra, Stack, 1975, é do artista Tony Cragg, normalmente alocado no grupo dos pós-minimalistas. E aqui podemos encontrar um exemplo da influência de Rauschenberg nesse movimento.
Já sabemos que uma das características do movimento é a tentativa de universalização da forma através de formas puras, básicas, como o é o cubo, a esfera, o cilindro (formas já apontadas por cezanne como constituintes de todas as outras do mundo). E outro elemento característico do minimalismo é a apropriação de materiais industriais na construção de suas obras. Nesse trabalho encontramos ambas as características de certa forma, mas ao mesmo tempo encontramos outra, mais pertencente ao pós-minimalismo, que é o conceito por trás da obra. Podemos observar que a forma é de um cubo, que sua construção está de tal forma juntada que a gestalt geral do conjunto é algo que chama a tenção pela paradoxal uniformidade de texturas, de formas internas e de paleta cromática. Essa diversidade de materiais provém justamente dos objetos coletados pelo artista para a montagem da obra: são todos objetos ready-mades da construção. São blocos, cimento, madeira, etc., ou seja, materiais que constituem o mundo, que são a presença do ordenamento do homem na terra, do ordenamento do espaço, tão estudado pelos minimalistas. É essa característca de apropriação e de conversa com a interferência do homem no meio que aproximam os trabalhos de tony Cragg, de Iran do Espírito Santo e de Damian Ortega. Ambos trabalham com esse mesmo tema, seja pelos materiais, seja pela ferramenta, seja pela ação.
Outra característica compositiva da obra é o modo como Cragg faz para organizar seus materiais: os coloca todos horizontais, mantendo o equilíbrio com a altura da escultura (2m).
Para mais trabalhos do artista, visite o site da Tate Modern.
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
...formas mínimas...
Voltando à arte contemporânea, em especial ao minimalismo, mais especificamente no Brasil, tratemos do famoso Iran do Espírito Santo. O artista representou nosso país ano passado na Bienal de Veneza, e continua expondo mundo afora. Seu trabalho se calca bastante na percepção dos espaços, mais especificamente, em objetos e situações ordinárias, mas muitas vezes com metáforas bastante sutis e bem pensadas.
contexto que nos permite perceber sua beleza. A transparência imaculada, a simetria absoluta, a ausência de qualquer ruído visual, a sombra projetada com um foco brilhante próximo à base, o molde da realidade de acordo com suas Que um copo vazio
Está cheio de ar."
Outro belíssimo trabalho do artista é Sem Título, de 2004. Uma "rodela" de uma parede, um deslocamento material de uma situação tão sólida quanto uma casa, que ao mesmo tempo mostra-se frágil na forma de círculo, impondo certa tensão estática, já que qualquer mínimo toque o faria movimentar-se impreterivelmente. Expõe a estrutura básica construtiva do meio (o tijolo), e contrapões sua forma paralelepípeda ao recorde cilíndrico onde se encontra. Se fica a imaginar o local de onde foi tirado, o espaço aberto criado, e o modo como se o fez. Novamente o objeto é cotidiano, presente na vida de absolutamente todos, delocado de seu meio natural para que se ganhe vida por si só, por suas características visuais e compositivas. Mesmo o aspecto rude do tijolo consegue contrastar com a elementariedade de sua estrutura primária, bem como com a perfeição do recorte limiar do círculo, e de seu entorno imaculado, a sala da galeria.quinta-feira, 5 de junho de 2008
...pós-minimalismo...
Devo pedir desculpas... Sim. Conheci faz pouco tempo um "novo" termo (entre aspas porque, afinal, tudo hoje em dia possui um 'pós' dele mesmo...daqui a meses, teremos os pós-blogs, pós-windows, pós-sorvete-de-limão...)... não sabia que existia o pós-minimalismo, mas de qualquer maneira, não muda muito os tópicos anteriores.
O trabalho, Head Fountain, ao lado é do artista Bruce Naumann, e foi apresentado na Bienal de Veneza em 2007. O artista possui forte ligação com a "process art", arte do processo, onde, obviamente, o processo do fazer artístico é o fundamental, a obra de arte está na ação. Daí sua ligação com o minimalismo, primeiro movimento a chamar a atenção à "inter-ação" entre artista, obra e ambiente.Marcadores: bienal de veneza, bruce naumann, head fountain, minimalismo, pós-minimalismo, process art
segunda-feira, 19 de maio de 2008
...tal pai, tal filho...
Constantin Brancusi, há quem diga, paradoxalmente, foi um minimalista. Bobagem. Seus trabalhos datam do início do século XX, contemporâneo a Rodin. No contexto em que se encontrava, é impossível o encaixar em alguma vanguarda. Não é cubista, nem expressionista, menos ainda geométrico, não é futurista, etc. Sua obra é única.
É comumente associado ao minimalismo pela sua linguagem limpa, sem adornos, sem firulas, nem qualquer coisa que ditraia o olhar do observador à forma e conteúdos básicos de seus trabalhos. No entanto, a linguagem industrial, ou a serialização, ou mesmo o diálogo da obra com o entorno, não existem em geral nos trabalhs de Brancusi. Há materiais que se aproximam mais, mas um link que poderia chamá-lo de minimalista, não.
Mas também não se pode negar que tenha sido forte influência a artistas da estética minimal, como o próprio Carl Andre afirma (este desenvolveu trabalhos que remetiam e se relacionavam com a coluna infinita de brancusi, por exemplo). Já foi postado algo sobre ele.
Esse trabalho do artista chama-se "Passaro no Espaço". Possui variações em outros materiais do mármore. A beleza do trabalho está na simplicidade da forma como brancusi representa uma ave. Não a expõe claramente ao observador, não escancara seu conteúdo, mas deixa apenas signos do que seria. Ave no espaço remete instantaneamente a vôo, a movimento, mas ao mesmo tempo, estabilidade, graça. O sígno escolhido pelo artista para expressar todas essas características é precisamente um rasgo no espaço, um traço de um momento instantâneo que uma ave cortaria determinada região, associado a leveza do próprio material que, embora seja pedra, é leve ao olhar, e liso e quase que macio ao tato visual. O olhar vai deslizando, escorregando pelo entorno do trabalho, que possui linhas bastante suaves, mas decididas.
Há um site no nome do homem, mas que servirá apenas pela sua história e livros sobre ele...
Marcadores: arte moderna, brancusi, carl andre, constantin, minimalismo, pássaro no espaço
segunda-feira, 12 de maio de 2008
...minimalismo tupiniquim...
O título é apenas uma ironia. O Neoconcretismo não realmente é uma versão brasileira do movimento americano, mas partilha de muitos pontos. Um deles é a crítica ao positivismo na arte, defendendo a fenomenologia, dessa forma assumindo ao trabalho artístico características subjetivas tanto inerentes ao material quanto ao observador que visita a exposição.

Marcadores: arte concreta, construtivismo, helio oiticica, minimalismo, neoconcretismo
quarta-feira, 30 de abril de 2008
...objetos expressivos...
Não estou postando tanto quanto queria e deveria, mas... Vamos que vamos! Prometo no próximo post colocar algum artista português, já que Portugal tem entrado razoavelmente bastante nesse deficiente blog. Por enquanto, voltemos ao minimalismo.
Pode-se considerar Jasper Johns como um dos pais do minimalismo, junto com Robert Rauschenberg, artsta comentado em post anterior. Ambos bastante influenciados por John Cage, trabalham com um tipo de arte chamada Assemblages, que são colagens com elementos tridimensionais. Essa obra ao lado,
target with four faces, junto com a bandeira americana são as mais conhecidas obras de Johns. Sua obra influenciou fortemente a pop art, assim como o minimalismo, mas ele mesmo não fez parte de corrente artistica nenhuma.
O ponto de contato entre John e o minimalismo está como que na "dessacralização"da obra de arte. Johns cria objetos, abre mão da pintura pura, ou da escultura pura, assim como o minimalismo. No entanto, coloca em sua obra seus traços pessoais, afinal, seus alvos são pintados à mão, assim como seus elementos 3D. O minimalismo, pelo contrário, joga a execução da obra à indústria, pois querem a padronização e a serialização.
No trabalho acima efetua essa mistura de elementos, colocando juntos um alvo pintado por ele mesmo e quatro rostos de pessoas moldados em gesso. Embora há quem diga que o próprio artista disse não haver significado algum por trás do trabalho, este acaba remetendo a coisas que podem ser interpretadas e oferecer um sentido maior ao trabalho.
Na parte superior, quatro rostos. O que chama a atenção é não possuirem olhos, tornando-se rostos "assexuados", e inexpressivos. Acabam contrastando com o alvo abaixo, que por possuir os traços do artista, ganham grande expressividade, extravasando o que seria um simples alvo, onde se atiram dardos, e de certa forma, ironizando o expressionismo abstrato americano. Ironizando porque, ao trabalhar com a expressão, John a utiliza num "elemento" geométrico e frio como um alvo, algo por si inexpressivo. Mistura seu mundo subjetivo ao objetivismo convencional que se coloca num "alvo". E, o contrário do que colocava o expressionismo abstrato, onde a expressão é algo do homem e inerente a ele, John tira todo sentimento de seus rostos, tornando-os como que os próprios alvos: homens sem expressão não aparentam sofrer com as ações externas. Dardos jogados batem, prendem, furam, mas aparentemente não mundam sua condição geral, a não ser que se olhe de perto, onde marcas permanecerão indefinidamente. Assim, a verdadeira expressão humana não esta propriamente na sua exteriorização, pois exteriorizar algo subjetivo é tentar objetivar o sentimento. A verdadeira expressão está dentro do homem, e lá permanece.
Para mais sobre John, vale entrar no site do MoMA.
Marcadores: Arte Pop, Assemblage, Jaspers Johns, minimalismo
terça-feira, 8 de abril de 2008
...a ordem do caos...
Eva Hesse, nascida em 1936 e falecida em 70, é uma das artistas que mais mudaram e contribuiram para o panorama artístico de sua época. Com trabalhos nos mais diversos suportes, com os mais diversos materiais, sepre buscava a transgressão do que a limitava na arte e na sociedade.
Marcadores: Acessão II, Eva Hesse, expressionismo abstrato, minimalismo
quinta-feira, 3 de abril de 2008
...paradoxo do espaço...
Marcadores: arquitetura, brancusi, coluna, escultura, José Spaniol, minimalismo, richard serra
terça-feira, 1 de abril de 2008
...pesquisa espacial...
Depois de um longo período sem novas postagens por conta de um serviço que consumia grande parte do meu tempo, retorno às postagens. Espero que agora mais constante que antes.
Marcadores: david batchelor, Donald Judd, minimalismo
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
...minimalismo mexicano...
Damián Ortega, artista mexicano, participou da nossa Bienal de São Paulo em 2006, curadoria de Lisette Lagnado. Artista minimalista, desenvolveu diversos trabalhos que dialogam profundamente com o universo de artistas como Donald Judd e Sol LeWitt.
Marcadores: bienal de são paulo, Damián Ortega, lisette lagnado, minimalismo
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
...meticulosamente desalinhado...
James Siena é daqueles artistas que, sem conhecer um pequeno panorama da arte moderna, seriam indecifrável. Ainda atuante, o artista possui influências fortes e claras do expressionismo abstrato, da arte de rua e do minimalismo americano.
Marcadores: abstração, arquitetura, James Siena, minimalismo, pintura
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
...luz e espaço...
Marcadores: artes, instalação, luz, minimalismo


