Finalmente aqui comentarei algumas coisas da bienal de veneza desse ano.
A work of art is more than an object, more than a commodity. It represents a vision of the world, and if taken seriously must be seen as a way of “making a world”. A few signs marked on paper, a barely touched canvas, or a vast installation can amount to different ways of world-making - Daniel Birnbaum _curador da 53a Bienal de VenezaTendo como tema geral "making worlds / bantin duniyan / 制造世界 / weltenmachen / construire des mondes/fazer mundos", o texto do curador se mostra bastante explicativo (e inclusive essa sucessão de nomes em diversas línguas). E é até interessante se pensar numa mostra mundial, onde cada país chega com seu próprio mundo de artistas, e cada artista com seu próprio idioleto, tentar criar um todo do panorama artístico seria impossível.
O que nega esse fato é um: o mundo se faz com pessoas diferentes. Cada pessoa é seu mundo, e possui sua maneira (mais ou menos eficiente) de fazer parte dele, mas todas fazem, todas deixam algo, e assim todos "fazem mundos". E no plural, pois é nos outros que as pessoas constróem seus mundos: numa conversa, dois mundos se misturam, numa bostagem de blog, mais mundos se misturam, se fazem (e se faria melhor se meus leitores deixassem comentários... mas...). E na Bienal, são os artistas que falam com o público. E esse cria seus diálogos próprios com as obras, e entre elas também, fazendo relações entre elas, aprimorando seu próprio mundo.

Num dos mundos que se apresentam, encontramos a artista Lygia Pape (1927 - 2004). Cria para o espectador uma instalação visual onde, através de fachos de linhas ligadas a pontos no teto e no chão, apresenta colunas de luz, nos expõe um modo diferente de perceber o espaço, ilusoriamente, geometrizando-o, e sublimando-o com um claro equilíbrio formal e luminoso. Ao escurecer a sala, aumenta essa sensação de imersão, assim como a escala admitida pela obra. O nome da obra é "Ttéia", que remete a teia, mas com certa brasilidade (tetéia seria algo bonito, gracioso). Ligações que se efetivam entre mundos, planos opostos, e que necessariamente produzem um efeito, que positivo, quer negativo. A ligação de mundos não são nunca estéreis, mas sempre deixam a marca de uma possibilidade, ou de uma necessidade.

Não é necessário me delongar nessas relações que se apresentam, o leitor já certamente percebe que não são obras aleatórias, e que a metáfora que se apresenta ao observador é algo que torna a obra com um sentido completo, que atribui a significação necessária para que faça sentido em si.
Outra artista que trabalha o tema de relações, mas para um plano mais negativo, é Raquel Paiewonsky. Sua obra para a

Enfim. Encerro aqui esse post. Recomendo que os leitores interessados dêem uma olhada em duas fontes muito boas para mais sobre a Bienal: Designboom e o Flickr.
Nenhum comentário:
Postar um comentário