quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

...penso logo escrevo...

Esse trabalho de que falarei agora foi um dos primeiros que fiz uma análise própria quando comecei a estudar história da arte. Na verdade, ele chega a ser bastante literal. Em Mind over Matters, de 1993, Janet Zweig monta um mecanismo que liga por um jogo de roldanas uma pedra e um cesto, dentro do qual um computador vai despejando um rolo de papel. No papel, vão impressas diversas sentenças que a máquina randomicamente combina a partir de três frases:
"I think therefore I am." --Descartes
"
I am what I am." --Popeye
"
I think I can." --The Little Engine That Could
O resultado são frases bastante interessantes, do tipo:
I am what I think I am.
I think I am.
I can think what I can think therefore I think.
I can I am.
I can therefore I can.

E assim por diante. Conforme o papel vai caindo no suporte com palavras impressas, o peso do cesto começa a se equivaler ao da pedra, até que essa se suspende no ar.
Como disse, é um trabalho bastante literal. Pode ser visto como uma metáfora do peso que as palavras possuem, ou de idéias, ou do conjunto dessas. Mas gostaria de atentar para as frases usadas: uma de um filósofo que revolucionou a história da filosofia e abriu as portas ao movimento moderno, mas também ao relativismo; outra de um personagem de desenho animado; e outra de uma história americana. Todos de conhecimento popular, afinal, todos conhecem a célebre frase "penso logo existo" de Descartes, o personagem e o conto. No conjunto, a leitura que faço desses elementos é a crítica à tentativa de justificação de um modo de pensar e de agir, no caso, o american way of life, colocado fortemente pelo conto infantil e pelo Popeye, através da repetição incessante de idéias muitas vezes desconexas, mas que se não pensadas a respeito, soam bonitas, como "posso, portanto, posso". Todas essas idéias são empurradas por mecanismos organizados e programados por alguém, no caso o computador, a ponto de tirar o peso da realidade e da lógica da consciência do homem: lugar de pedra é no chão, não suspensa por um fio.
Outros trabalhos da artista no seu site.

2 comentários:

Ana Carolina disse...

nser

Ana Carolina disse...

Olá, Eduardinho,
SARAVÁ!
olha, depois q vi, mas em missiva anterior, jah faz algum tiempo, enviei algo aqui e foi junto uma última falaq dizia " vc eh pop"; mas foi sem querê, viu. eu ia dizer uma outra-fala, mas acabei mudando-a e esqueci de deletar e esta foi junto - e q n teve nada a ver com o dito do momento-. "vc eh pop" era uma outra viagem, q acabei nem enviando... tudo bem que "o papa eh pop e o papa não poupa ninguém" rsrsrsrsrs.
enfim, envio agora um ALGO q escreviNHEI.
na real, uma alusão às experiências, riquíssimas, q relatei há algum tempo a vc... com alunos do supletivo.... e em uma delas.... era o seguinte: - os alunos diziam " a perca" do salário, por exemplo, ao invés de " a perda"... daí rolou esta... e envio A VC AHORA:
enfim, uma viagem minha, mas que, de alguma forma me incomodou e que, por falta de tempo, só consegui externar e produzir isto.
valeu,
abraços,
carola

Poema do menos é mais quando são:
- do perda eh perca e mais -

eu sinto tanto
eu sinto muito
eu fico
eu sei
eu endureço
eu não perco a ternura
e difícir é ser perda e não ser perca
é explicar que é perda e não perca
mas o pobrema é que comunica com se perca
então tudo bem também
de perca ser também
ja que o que importa é comunikar
salva-salve
então o problema é explicar que tudo bem também
mesmo que com perca ou perda
o que ocorre é a perda
e eu perco
pelo menos eu fico achando
que ele perca!
eu ganho também
mas eu queria que
ganhássemos
e que eu ganhasse
ainda que quando eu ache que estou ganhando e não ser É
mas e que perco
então perca pode ser também
o impossível é mim possível ser pra perca también
e só quedar tudo bem
eu corroboro
eu ternuro
e eu continuo
e que perca
siempre
nos percamos
nos percausos??
hum.........
ja desconstrução
eu ainda sinto
tanto e muito
amor